Economistas pioram projeções de PIB e inflação

Especialistas elevaram projeção do IPCA a 9,23%, na 15ª semana seguida de alta

Economistas de instituições financeiras pioraram suas estimativas econômicas para este ano e o próximo após o governo reduzir as metas de superávit primário, ao mesmo tempo em que cravaram a aposta de que a taxa básica de juros será elevada em 0,50 ponto percentual na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

A pesquisa Focus do BC mostrou ainda que a perspectiva para o fim do ano da Selic, atualmente em 13,75%, caiu a 14,25%, sobre 14,5% anteriormente.

No entanto, essas projeções foram feitas até sexta-feira e podem ainda não refletir as mudanças nas expectativas provocadas pelas declarações do diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva feitas no mesmo dia.

O diretor afirmou ser primordial que o BC continue vigilante diante de novos riscos à convergência da inflação ao centro da meta, em uma indicação, segundo especialistas, às novas metas de primário. Com isto, o mercado futuro de juros passou a mostrar chances majoritárias de alta de 0,5 ponto nesta semana e outra elevação de 0,25 ponto em setembro.

Sobre o final de 2016, não houve mudanças na pesquisa Focus, com expectativa de que a Selic ficará em 12%.

Na semana passada, o governo reduziu a meta para a economia feita para o pagamento de juros da dívida pública em 2015 para R$ 8,747 bilhões ou 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB). Também anunciou redução da meta fiscal de 2016 e 2017 para, respectivamente, 0,7% e 1,3% do PIB.

Analistas consideraram que a política fiscal menos contracionista deve dificultar a missão do BC de trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) até o fim de 2016.

Os especialistas consultados no Focus elevaram a projeção de alta do IPCA para 2015 em 0,08 ponto percentual, a 9,23%, na 15ª semana seguida de piora. Para o final do próximo ano, a estimativa permaneceu em 5,4%.

IPCA-15

Em julho, a prévia da inflação oficial brasileira desacelerou a 0,59%, mas em 12 meses o IPCA-15 ultrapassou 9% pela primeira vez em 11 anos e meio, chegando a 9,25%.

O Focus mostrou também que a estimativa para o Produto Interno Bruto neste ano passou para contração de 1,76%, contra queda de 1,70% na pesquisa anterior. Para 2016, a expectativa de crescimento caiu em 0,13 ponto percentual, a 0,2%.

Os especialistas consultados no Focus mantiveram em 37% do PIB a projeção para a dívida líquida do setor público neste ano, mas para 2016 a expectativa subiu a 38,50%, contra 38,35%.

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