Pai de jovem morta a mando da sogra é executado em ponto de ônibus

Ademir Dias, o “Parrudo”, foi emboscado por pistoleiros (Correio do Povo)Garota foi sequestrada por policiais. Insatisfeita com gravidez da nora mandante pagou R$ 30 mil
:: Redação
O pai de uma jovem grávida, que sumiu de casa após descobrir que estava gestante, foi morto a tiros na manhã desta segunda-feira, (21), no Povoado Marituba, no município de Piaçabuçu, Litoral Sul de Alagoas.
Ademir Dias Santos, 44, o “Parrudo” estava em um ponto de ônibus e iria levar outra filha para a escola, quando foi atingido por um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça. Os criminosos, conforme relatos de testemunhas, estavam em uma S-10 de cor vinho.
A vítima, que era servidor público da Prefeitura de Piaçabuçu, Ademir dirigia a ambulância da Casa Maternal. Ele é pai de Roberta Costa Dias, 16, desaparecida em 11 de abril de 2012, após deixar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), na cidade de Penedo, também no Litoral Sul do Estado, onde realizou um exame pré-natal. Ao deixar o local na companhia de uma amiga Roberta se despediu e disse que iria se encontrar com o namorado – pai da criança – a quem iria revelar a notícia da gestação. Os exames concluíram que a garota estava grávida há três meses.
A investigação do caso teve três delegados. Inicialmente o caso ficou na responsabilidade do delegado Regional de Penedo, Rubéns Natário, que após diversos protestos na cidade, entregou o inquérito para à Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), sob a alegação de falta de estrutura da delegacia distrital. Pôr fim o caso foi entregue ao delegado Cícero Lima, coordenador da Delegacia de Homicídios, (DH).
“Parrudo” liderou diversos protestos e arrecadou cerca de R$ 5 mil em espécie para pagar a quem desse alguma informação que levasse a polícia e a família ao local onde estava a filha.
O suposto namorado da jovem, um adolescente de 17 anos na época, foi acusado pela família de Roberta de exigir que a garota praticasse aborto. Em depoimento o jovem disse que havia mudado de ideia e que tinha falado com a namorada que iria assumir o filho, mas exigiu que a futura mãe fizesse um exame de DNA para confirmar se o filho seria ou não dele. Baseado nas investigações a polícia apreendeu os computadores usados pela estudante e o namorado e pediu a quebra do sigilo telefônico da Roberta.
Em setembro de 2013 o delegado Cícero Lima promoveu novos desdobramentos no caso e determinou as primeiras prisões. Luiz Rogério da Silva, 47, foi preso na cidade de Péroba, no Estado do Paraná. Ele teria prestado depoimento e confessado que recebeu dinheiro de Meirijane, mãe do jovem que namorava com a garota desaparecida, para matá-la. O crime também teve a participação dos policias civis Gledson Oliveira da Silva, 33 e Carlos Bráulio Lopes Idalino, 38, o “Cobal” e de Janiel Moreira, 38, o “Dido Som” Uma testemunha ocular do sequestro, Sérgio Bento, acabou sendo morta pelos criminosos para não falar o que viu. Todos foram presos acusados de integrarem uma quadrilha de traficantes de drogas, onde os policiais agiam dentro da própria Delegacia e por suas participações na morte de Roberta.
Durante uma entrevista o delegado Cícero Lima afirmou que em quanto o colega Rubem Natário era delegado da cidade, a sede da Regional funcionava como uma “boca de fumo”.
O coordenador da DH acrescentou que após as apreensão de drogas, os policiais telefonavam para os traficantes, que vendiam metade dos entorpecentes apreendidos e repassavam parte do dinheiro aos agentes.
Meirijane, que se entregou a polícia dias após a decretação da prisão, teria tramado a morte da nora por não aceitar a gravidez dela. Para o crime, teria pago R$ 30 mil aos executores. Atualmente ele está em liberdade.
Quem tiver detalhes sobre este fato, qualquer crime ou saiba o paradeiro de algum criminoso, ligue 181, o Disque Denúncia. O anonimato da informação está garantido

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